O francês de Dunkerque, Thomas Ruyant (Fabre France), foi o primeiro velejador a atravessar o equador, por volta de meio-dia, após 15 dias de prova. O Autor de uma esplêndida, porém difícil travessia do Pot au Noir, deve estar se sentindo muito sozinho no hemisfério sul.

Se o jovem navegador sabe que seus perseguidores imediatos, entre eles Henri-Paul Schipman (Maison de l’avenir Urbatys), não tardarão a também navegar “com a cabeça para o lado oposto”, na intenção de vigiar o bando que está ao seu encalço num progresso difícil, ele deve estar com os nervos extremamente exacerbados.

Em um alísio friável, com força e direção inconstantes, teremos uma guerra de nervos, no momento em que os organismos pagam e muito caro pelas duas longas semanas de prova pontuadas por um Pot au noir especialmente desgastante. Ruyant tem em mãos as cartas de seu destino. Ele está na posição ideal, em direção ao arquipélago de Fernando da Noronha, e seu instinto, e a revelação das classificações via rádio Mônaco na voz suave do diretor da prova, devem lhe dar indícios de que atrás dele, os reposicionamentos de Schipman e sobretudo de Bertrand Delesne (Entreprendre durablement), agem a seu favor.

Schipman, o novo delfim!

Nenhum fujão entre os líderes da Regata La Charente maritime/Bahia Transat 6,50, enquanto os miasmas do Pot au noir desaparecem progressivamente para dar enfim lugar a um céu azul em um mar, a partir de agora, ordenado no sentido de um vento orientado ao Sul/Sudeste.

O deslocamento dos Minis continua com uma inclinação contra o vento, mas com um marulho mais estendido e os impressionantes veleiros tomam velocidade progressivamente. Eficaz nesse exercício, o impressionante HP Schipman, arquiteto naval de seu País, e que não esperávamos para essa festa tão bela, empurra significativamente o cursor de suas performances.

O aluno do Escritório Lombard ultrapassou, sem brigas, François Cuinet que ontem numa navegação impecável chegou ao segundo degrau de um podium muito instável. HP batalhou, registrou as melhores velocidades do dia, e petiscando algumas pequenas preciosas milhas de um Thomas Ruyant do qual a gente se pergunta quais sãos os pontos fracos. Bertrand Delesne não os encontrou.

Ele, que se matou para chegar ao 5o. lugar na classificação geral, em uma rota que a partir de agora é convergente para apagar a desvantagem obtida lá atrás, longe em uma opção a leste da rota e que se revelou não estar à altura de suas aspirações. Os deslocamentos próximos do vento retardam assim, e ainda por 48 horas, as veleidades dos solitários de partir com potência máxima rumo ao Brasil. O Arquipélago de Fernando da Noronha ainda está a um belo dia de viagem diante das proas. Em sua aproximação, os solitários talvez possam se apoiar em um fluxo a ponto de virar pelo través de suas velas, e tomar nas costas brasileiras uma última linha reta rumo à Bahia.

Um oceano de contrastes

Assim como comprovam os diferentes barcos de escolta, criteriosamente espalhados de um lado e do outro da flotilha de 79 Minis ainda na competição, a área da prova no oceano Atlântico exibe um aspecto cheio de contrastes aos velejadores espalhados em 650 km. Lá na ponta da flotilha, reina uma bela área de céu azul, e os ventos subiram para 15 nós de setor Sul/Sudeste.

Um pouco mais acima, no setor onde labuta hoje o líder de Séries, Francisco Lobato (Roff TMN), o vento sopra com mais de 20 nós e bloqueia as possibilidades de recentralização do português. No centro da flotilha, nós já começamos a sair desse tempo cinzento. O veleiro de escolta “Solo” confirma isso. Desde ontem ele navega com um tripulante extra, o azarado Antoine Rioux, que foi forçado a abandonar seu protótipo “Nouvelle Calédonie”.

Antoine não se deixará abater por esse golpe do destino e terá o coração engrandecido diante desse infortúnio na competição. O pot au noir se espalhou pelo rabo do pelotão, e é sob incessantes trombas d’água que os últimos protagonistas da Regata tentam avançar em um vento que vira e gira numa viravolta de… 360 graus!

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